A Coluna da Sabedoria
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A Descoberta da Escrita

Avicena

A Notícia

A Lei dos Contrários

As Perguntas do Príncipe

A Coluna da Sabedoria São Paulo, 22 de outubro de 2012
A Lei dos Contrários

Platão foi um filósofo que viveu na Grécia no séc. V a.C. Em uma de suas obras (Fédon), ele relata as últimas lições que seu mestre, o também filósofo Sócrates, houvera confiado a seus discípulos, momentos antes de cumprir a sua sentença de morte: um cálice de cicuta.
Sócrates, incomodado com as lamentações dos que o rodeavam, buscou de forma brilhante convencê-los de que não deveriam sentir tristeza pela sua morte. E explicou o porquê.
– Vede, disse Sócrates, tudo no mundo sempre possui dois lados. O mundo é feito de relações entre os contrários; e nada no Universo admite ser ao mesmo tempo uma coisa e o seu respectivo contrário, ou seja, os dois polos de uma coisa nunca estão juntos num mesmo instante.
– Poderíeis dar-nos um exemplo? - pediram os discípulos.
– Claro, concordou Sócrates. Respondei-me: quando dizemos que alguém está doente, podemos dizer também que esse alguém está são?
– Não, é claro que não.
– E se dissermos que ele está são, podemos dizer que ele também está doente?

A Lei dos COntrários

– Também não.
– Desse modo, podemos afirmar que alguém que ficou doente estava anteriormente são, não é mesmo?
– Sim, mas o que isso quer dizer?
– Significa que um contrário sempre nasce do seu próprio contrário. Do mesmo modo, quando dizemos que uma criança cresceu, significa que anteriormente ela estava menor, ou seja, se ela está grande significa que anteriormente ela estava pequena, não é verdade?
– É sim, mestre.
– Agora, dizei-me: o número dois, que é um número par, vem de que número?
– Do número um, que é ímpar.
– E o número dois vai em direção a que número?
– Ao três, que também é ímpar. Quer dizer então que um número par só pode ir em direção ao seu contrário, que é um número ímpar, e vice-versa.
– Muito bem. Dessa maneira, dizei-me: o que deve acontecer com tudo aquilo que está vivo?
– Bem, só pode ir em direção ao seu contrário, que é estar morto, responderam os discípulos.
– E já que eu estou vivo, é natural que eu deva dirigir-me ao meu contrário, que é morrer, não é certo?
– Não há como não concordar, mestre, e este é o motivo da nossa tristeza.
– Mas, se nós concordamos até aqui, dizei-me por fim: quando eu estiver morto, o que achais que deverá acontecer comigo?
– Meu Deus! Só podereis ir em direção ao seu contrário, que é ESTAR VIVO!
– É por essa razão que não deveis mais se preocupar, pois, se assim não fosse, a Natureza seria coxa, concluiu Sócrates.

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O mundo é feito de relações
entre os contrários.
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